Pneus: quando trocar, calibragem, rodízio e como ler o desgaste

Como achar o TWI e o limite de 1,6 mm, qual a pressão certa, quando fazer rodízio e alinhamento e o que olhar ao comprar pneu novo.

Ilustração vetorial de um pneu azul com sulcos marcados, um calibrador de pressão sem números ao lado e uma lupa sobre a banda de rodagem

Troque o pneu quando o desgaste chegar ao indicador TWI, a barrinha de borracha no fundo dos sulcos que marca 1,6 mm de profundidade, o limite legal. Troque antes se houver bolha, corte na lateral, deformação ou rachaduras. Calibre toda semana, com o pneu frio, e faça rodízio e alinhamento a cada 8 mil a 10 mil km.

Este guia mostra como achar o TWI, como ler o desgaste irregular, qual a pressão certa, como fazer o rodízio e o que olhar na hora de comprar pneu novo. Os números de calibragem e rodízio vêm de recomendação da indústria de pneus. A pressão e a medida do seu carro estão no manual, e é o que vale.

Quando trocar: sulco, danos e idade

O pneu tem uma banda de rodagem com sulcos que escoam a água. Quando o sulco fica raso, o pneu perde aderência no molhado e aumenta o risco de aquaplanagem, que é quando o carro desliza sobre uma lâmina de água e perde o contato com o asfalto.

O limite legal é 1,6 mm de profundidade. Para saber se chegou lá, procure o TWI (Tread Wear Indicator): pequenas saliências de borracha, com 1,6 mm de altura, dentro dos sulcos principais. Quando a banda de rodagem fica na mesma altura delas, o pneu está no limite e precisa ser trocado. Uma marca na lateral do pneu, perto do ombro, indica a posição de cada indicador. Lojas de autopeças vendem um medidor de profundidade barato, que dá o número exato.

Rodar abaixo do limite é infração. O artigo 230 do CTB, inciso XVIII, trata de conduzir veículo em mau estado de conservação que comprometa a segurança, uma infração grave, com retenção do veículo para regularização. A infração grave rende 5 pontos na carteira. Mas o motivo para trocar é mais simples: com o piso molhado, o pneu careca não segura o carro.

Na prática, eu trocaria um pouco antes do limite, perto de 3 mm, porque a aderência na chuva já cai bastante antes de o sulco chegar a 1,6 mm. Se você dirige muito em estrada ou em cidade chuvosa, não espere chegar ao TWI.

Danos que pedem troca na hora

Alguns problemas não esperam o desgaste do sulco.

  • Bolha ou calombo na lateral, sinal de que a estrutura interna se rompeu.
  • Corte profundo ou perfuração na lateral. Furo na banda de rodagem pode ser reparado por profissional, mas a lateral não.
  • Rachaduras no fundo dos sulcos ou na lateral, comuns em pneu velho e ressecado.
  • Deformação ou vibração que não some com balanceamento.
  • Marcas de impacto forte, como depois de bater a roda numa cratera.

E a idade do pneu?

Não há prazo legal de validade para o pneu. A garantia dos fabricantes é de cinco anos, contada a partir da nota fiscal de compra, e o estado de conservação pesa mais do que a data de fabricação. Mesmo assim, pneu parado, muito exposto ao sol ou com mais de cinco anos merece inspeção atenta, por causa do ressecamento.

A data de fabricação está no código DOT, na lateral. Os quatro últimos números indicam semana e ano. O código 0718 significa fabricado na 7ª semana de 2018. Confira isso ao comprar, para não levar um pneu que ficou anos na prateleira.

Como ler o desgaste

O jeito como o pneu gasta mostra o que está errado no carro. Olhe o pneu inteiro, e passe a mão na banda com cuidado: um desgaste em degraus se sente com o tato.

DesgasteO que costuma indicarO que fazer
No centro da bandaPressão acima do recomendadoCalibrar no valor do manual
Nas duas bordasPressão abaixo do recomendadoCalibrar e conferir vazamento
Em um lado sóAlinhamento ou cambagem fora do pontoAlinhar e checar a suspensão
Em manchas ou degrausBalanceamento, amortecedor ou suspensãoBalancear e revisar a suspensão
Mais rápido nas rodas de traçãoNormal, em parteFazer o rodízio no prazo

Calibragem: a pressão certa

A pressão certa está no manual e, em geral, numa etiqueta na coluna da porta do motorista ou na tampa do tanque. Ela pode ser diferente para uso normal e para carga cheia, e vem em psi, que é o mesmo que lbf/pol² no calibrador do posto.

A indústria de pneus, por meio da ANIP, recomenda calibrar toda semana e sempre com os pneus frios, porque o pneu quente mostra uma pressão mais alta que a real. Na prática, a cada 15 dias já evita o pior, e antes de viagem longa vale conferir. Lembre do estepe.

A calibragem também mexe no consumo: o Departamento de Energia dos Estados Unidos estima perda de cerca de 0,2% no rendimento a cada 1 psi abaixo do recomendado. Os números completos estão no guia de como economizar combustível.

Rodízio, alinhamento e balanceamento

O rodízio troca os pneus de posição para que todos gastem de forma parecida. Pelas recomendações da ANIP, o rodízio de pneu radial de passeio deve ser feito a cada 8 mil km, e o de pneu diagonal, a cada 5 mil km. Outras orientações falam em 10 mil km, então siga o que está no manual do seu carro.

O esquema do rodízio depende da tração do carro e de o pneu ser direcional ou não. O manual ou a oficina indicam o esquema certo. Nos pneus direcionais, que têm sentido de giro marcado na lateral, a troca é só entre o mesmo lado.

O alinhamento acerta os ângulos das rodas, e o balanceamento compensa a diferença de peso do conjunto roda e pneu. A recomendação é fazer os dois a cada 10 mil km, ao notar vibração no volante, na troca de pneu e depois de impacto na suspensão ou pancada em buraco.

Na hora de comprar pneu novo

A medida vem na lateral, por exemplo 195/55 R16 87H. Os números querem dizer largura em milímetros, altura do perfil como porcentagem da largura, tipo radial, diâmetro do aro em polegadas, índice de carga e letra de velocidade máxima. Use a medida e os índices que o manual pede, ou valores acima deles. Mudar a medida sem orientação afeta o velocímetro, a aderência e a segurança.

Confira se o pneu tem certificação do Inmetro e a data de fabricação no DOT. Desconfie de pneu usado vendido sem histórico, porque ele pode esconder dano interno.

Se for trocar só dois pneus, a indústria recomenda colocar os novos no eixo traseiro, para manter a estabilidade em piso molhado. Há fabricantes que pedem o contrário em alguns carros de tração dianteira, e o manual tem a palavra final. Pneu bom é só uma parte da segurança do carro, e o guia sobre os carros mais seguros do mercado trata do resto.

Quem vai comprar um carro usado deve olhar o estado dos pneus, a marca de cada um e o desgaste, como mostra o checklist para avaliar um carro usado. Quatro pneus de marcas diferentes e desgaste desigual podem indicar que o dono cuidou pouco da manutenção.

Cuidados que prolongam a vida do pneu

  • Passe devagar em lombada, buraco e meio-fio. Pancada na lateral é a causa mais comum de bolha.
  • Não deixe o carro parado por semanas sobre o mesmo ponto, e calibre antes de voltar a usar.
  • Mantenha o peso dentro do limite do carro. Caminhonete com carga pesada pede a pressão de carga do manual, como no guia de manutenção da caminhonete.
  • Com chuva forte, pneu com sulco bom segura mais o carro. Se a rua alagou, o guia sobre como passar por alagamentos pequenos com segurança explica o que fazer.
  • Confira o pneu na revisão do carro. Os prazos de cada item estão no guia de manutenção preventiva.

Perguntas frequentes

Dá multa andar com pneu careca?

Sim. É infração grave do CTB, por conduzir o veículo em mau estado de conservação, e o carro pode ser retido até a regularização. A infração grave soma 5 pontos na carteira.

Quantos quilômetros dura um pneu?

Varia muito com o modelo do pneu, a pressão, o estilo de direção, a regulagem da suspensão e o tipo de piso. Em vez de contar quilômetros, confira o sulco a cada revisão e o TWI.

Pneu velho, mas com sulco, ainda serve?

Depende do estado. Sem rachaduras, bolhas ou ressecamento, pode servir, mas pneu com mais de cinco anos pede inspeção atenta. A garantia do fabricante é de cinco anos da data da nota fiscal.

Posso usar pneu de medida diferente da original?

Só dentro do que o fabricante do carro permite. Largura, perfil e aro diferentes alteram o velocímetro, a distância de frenagem e a aderência. Consulte o manual ou uma loja especializada antes.

Posso calibrar o pneu depois de rodar?

O ideal é calibrar frio, antes de rodar. Se calibrar quente, o valor lido é mais alto, e o pneu fica com menos pressão do que deveria depois de esfriar. Se precisar calibrar depois de rodar, espere esfriar e confira de novo.

Pneu é o item mais barato da segurança do carro e o que mais gente deixa para depois. Olhar o sulco, a pressão e a data uma vez por mês toma poucos minutos.