Motos na economia e na mobilidade urbana: mototáxi, entregas e trânsito

Frota, produção, entregadores por aplicativo, regras do mototáxi e do motofrete e o custo em mortes: o que a moto representa hoje no Brasil.

Ilustração em estilo flat de um entregador numa moto pequena com caixa na garupa, entre carros, ônibus e prédios de uma avenida

O Brasil tinha cerca de 28,2 milhões de motos registradas em dezembro de 2024, segundo dados da Senatran, e as fábricas produziram 1,98 milhão de unidades em 2025. A moto virou ferramenta de trabalho para entregadores, mototaxistas e quem não tem como pagar um carro ou perder duas horas num ônibus. Ela também responde por boa parte das mortes no trânsito.

Este texto junta os números mais recentes sobre frota, produção e trabalho por aplicativo, explica as regras federais para mototáxi e motofrete e mostra o que pesa do outro lado da conta, a segurança. Para entender como a moto chegou até aqui, a evolução das motos brasileiras conta a parte da indústria.

Quantas motos existem e quanto o país produz

Segundo a Senatran, a frota de motocicletas chegou a 28,2 milhões de unidades em dezembro de 2024, alta de 5,07% sobre o ano anterior. O Sudeste concentra 10,7 milhões, e o estado de São Paulo lidera, com 5,76 milhões.

Do lado da indústria, a Abraciclo informou que as fábricas, concentradas no Polo Industrial de Manaus, produziram 1,98 milhão de motos em 2025, o maior volume em 15 anos, com alta de 13,3% sobre 2024. As vendas, em emplacamentos, bateram recorde com 2,19 milhões de unidades. Para 2026 a entidade projeta 2,07 milhões produzidas.

A moto como ferramenta de trabalho

O trabalho por aplicativo explica boa parte desse crescimento. Segundo a PNAD Contínua do IBGE, 2 milhões de pessoas trabalharam por plataformas digitais no terceiro trimestre de 2025. Os aplicativos de transporte de passageiros respondiam por 58,9% dessa conta, e os de entrega de comida e produtos por 29,9%, cerca de 585 mil pessoas.

A maior parte dos entregadores é de motociclistas, e há também motociclistas em aplicativos de passageiros, os mototáxis. O mesmo levantamento mostra o lado frágil desse trabalho: apenas 34% dos trabalhadores de plataformas contribuíam para a previdência, contra 63% dos demais ocupados do setor privado, e entre motociclistas de aplicativo o índice caía para 19,4%.

Para quem trabalha, a moto tem uma lógica econômica clara: compra mais barata do que a de um carro, menos combustível por quilômetro e mais agilidade no trânsito parado. Para o dono, ela é também um bem que precisa de manutenção constante, já que o uso intenso gasta pneu, corrente e freio mais rápido, e o texto com dicas para cuidar da moto ajuda a organizar a rotina.

Mototáxi: o que a lei federal exige

A Lei 12.009/2009 regulamenta o trabalho de mototaxista e de motofretista. Para exercer a atividade o condutor precisa ter 21 anos completos, pelo menos dois anos de habilitação na categoria A, usar colete de segurança com faixas retrorrefletivas e ter feito curso especializado, regulamentado pelo Contran, com reciclagem a cada cinco anos.

A Resolução 943/2022 do Contran atualiza os requisitos mínimos de segurança do transporte remunerado de passageiros e de cargas em moto. Cada município define como o serviço funciona na prática, com licença, ponto e fiscalização, e a regra muda de cidade para cidade.

O mototáxi por aplicativo é o ponto mais disputado. Em São Paulo, a prefeitura tentou proibir o serviço em 2023, e o Supremo Tribunal Federal decidiu que municípios não podem simplesmente proibir a atividade. Uma lei municipal de dezembro de 2025 impôs condições rígidas, e decisões judiciais de 2026 suspenderam e restabeleceram trechos mais de uma vez. A situação muda com frequência, então a regra vigente na sua cidade deve ser confirmada com a prefeitura ou com o órgão de trânsito local.

Motofrete e entregas: lista do que o profissional precisa

  • CNH categoria A há pelo menos dois anos e idade mínima de 21 anos.
  • Curso especializado de motofrete, com reciclagem a cada cinco anos.
  • Colete de segurança com dispositivos retrorrefletivos.
  • Moto em dia com a revisão, com pneus, freios e iluminação funcionando.
  • Documento do veículo regular e, onde a prefeitura exigir, registro como veículo de aluguel.

O ponto que mais gera problema é a habilitação. Uma pesquisa da Senatran indicou que cerca de 53,8% dos donos de motocicleta não têm CNH na categoria A. Quem usa a moto para trabalhar sem habilitação pode ficar sem cobertura do seguro, responde pessoalmente na hora de um acidente e corre risco de apreensão do veículo.

O custo em vidas: motociclistas no trânsito

Segundo o Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), com base em dados do Ministério da Saúde, mais de 13 mil motociclistas morreram no trânsito em 2023, cerca de 39% de todas as mortes. Em 2024 o Brasil registrou 37.150 mortes no trânsito, o quinto aumento anual seguido, e os motociclistas seguiram como o grupo com mais mortes.

A moto é pequena, não tem carroceria e o piloto fica exposto. Entre os fatores citados com mais frequência estão velocidade, falta de capacete adequado, condutor sem habilitação e a mistura entre moto e veículos pesados em vias sem faixa própria. Em agosto de 2025, a Senatran apontou que um transporte público melhor pode ajudar a reduzir as mortes em moto.

Para quem pilota, os cuidados que mais mudam o resultado são o capacete certificado, bem afivelado, jaqueta e luvas com proteção, distância do veículo da frente e atenção redobrada em cruzamentos, onde acontece boa parte dos acidentes. Para quem dirige carro, olhar o espelho antes de mudar de faixa evita parte dos acidentes.

Como organizar as contas de quem vive da moto

Quem trabalha com entrega ou transporte de passageiros costuma olhar só para o que entra no fim do dia e esquecer o que a moto gasta. O jeito mais simples de enxergar o lucro real é somar os custos por quilômetro rodado: combustível, óleo, pneus, corrente, pastilhas, seguro, licenciamento e a parcela do financiamento, se houver. Dividido pela quilometragem do mês, esse número mostra quanto cada corrida precisa render para valer a pena.

Algumas contas costumam ser esquecidas. Pneu de moto de uso intenso dura bem menos do que o de uso ocasional, e a troca de kit de relação (corrente, coroa e pinhão) vem junto. Revisão atrasada sai cara depois, porque pequenos desgastes viram quebra. Uma reserva mensal para manutenção, separada do dinheiro do dia, evita parar de trabalhar por falta de caixa quando a moto dá problema.

O seguro também merece cuidado: algumas apólices excluem a cobertura se o condutor não tiver habilitação na categoria certa ou se a moto estiver com itens obrigatórios faltando. Antes de contratar, vale ler o que a apólice diz sobre uso profissional, porque cada seguradora trata o assunto de um jeito.

O que vem pela frente

Duas tendências devem mexer com esse cenário. A primeira é a regulamentação do mototáxi por aplicativo, que depende de decisões de prefeituras e de tribunais. A segunda é a moto elétrica, que para o entregador pode baixar o gasto com combustível e manutenção, e o texto sobre motos elétricas no Brasil mostra o que existe hoje.

Para quem curte a moto pelo lado do lazer e da comunidade, e não só do trabalho, existe a cultura motociclística brasileira, com motoclubes e eventos que reúnem gente de todo o país.

Perguntas frequentes

Quantas motos existem no Brasil?

Segundo a Senatran, 28,2 milhões de motocicletas registradas em dezembro de 2024. O estado de São Paulo concentra a maior parte, com 5,76 milhões.

O que é preciso para trabalhar como mototaxista ou motoboy?

Ter 21 anos, dois anos de CNH categoria A, usar colete retrorrefletivo e fazer o curso especializado, com reciclagem a cada cinco anos, conforme a Lei 12.009/2009. A prefeitura pode exigir licença própria.

Mototáxi por aplicativo é permitido?

Depende da cidade e muda com frequência. O STF decidiu que prefeituras não podem simplesmente proibir a atividade, mas cada município pode definir condições, e houve disputas judiciais em São Paulo em 2025 e 2026. Confirme a regra vigente com a prefeitura.

Qual é a proporção de mortes no trânsito que envolve motociclistas?

Cerca de 39% em 2023, segundo o ONSV, com base em dados do Ministério da Saúde. Foram mais de 13 mil motociclistas mortos.

Quantos brasileiros trabalham por aplicativo?

Segundo a PNAD Contínua do IBGE, 2 milhões de pessoas no terceiro trimestre de 2025, a maior parte em aplicativos de transporte de passageiros.